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Jesus Histórico


A Pesquisa de Jesus Histórico







Introdução

Conforme estudamos existem três pesquisas sobre o Jesus histórico a primeira busca, (The first quest), A segunda pesquisa (The second Quest) e por final a mais recente: A terceira pesquisa, (The Third Quest),a qual vamos tratar neste breve resumo da obra de GIUSEPPE SEGALLA, a pesquisa do Jesus Histórico. Ed Loyola.
A terceira pesquisa representa um novo início e um novo impulso na pesquisa do Jesus Histórico. A terceira Busca, ou investigação tem algumas características: Um exame rigoroso e aplicação de critérios históricos para determinar a autenticidade de vários dados dos evangelhos. Um retorno à ideologia do Jesus judeu, sendo interpretado com um pano de fundo das ideias religiosas e instituições do seu tempo. Uma busca mais detalhada da diversidade do judaísmo no primeiro século.

Desenvolvimento

A partir da obra de Ed. Parish Sanders, Jesus e o Judaísmo, de 1985, que derruba o critério negativo da nova pesquisa em relação ao judaísmo daquela época. O autor Tom Wright anuncia o início da nova pesquisa de Jesus. Neill, afirmou que o que foi escrito antes não teria o mesmo valor, pois começava uma nova pesquisa com muito mais materiais judaicos, os estudiosos agora trabalham como historiadores, convictos que é possível conhecer mais do Jesus de Nazaré. Conforme o estudioso Charlesworth; Houve uma reviravolta na pesquisa do Jesus histórico devido aos três elementos da terceira pesquisa:
1.    Um novo material judaico de confronto.
2.    Uma maior confiança no material histórico dos evangelhos.
3. A importância do Jesus histórico também em seu perfil teológico,se contrapondo a escola bultmanniana e pós-bultmanniana.

Através das pesquisas do judaísmo em seu contexto sociopolítico a terceira busca vem se fortalecendo lado a lado com as redescobertas do judaísmo. A terceira pesquisa oferece um novo paradigma pós-moderno, enquanto reflete a complexidade pelos novos dados (fontes diretas e indiretas) e novos métodos, além de pela necessária interdisciplinaridade do trabalho histórico crítico. Fragmentariedade pelos resultados em relação à respectiva complexidade.
Em razão da terceira pesquisa o surgimento de alguns paradigmas seria iminente, o primeiro paradigma foi: O historiográfico; Através da correção do método histórico-crítico obtiveram-se quatro pontos: 
a) inevitável inclusão do historiador em sua história, 
b) deve-se distinguir a o Jesus real e o Jesus da história, reconstruídos através de testemunhas, tradição e dos sinais deixados redigidos no evangelho. 
c) deve-se distinguir a história original do conhecimento desta história. A primeira não muda e a segunda se desenvolve através das descobertas arqueológicas e documentais. Segundo os eruditos é impossível fazer história sem interpretação, por isso que a suposta antiguidade de um documento pode pretender uma verdade maior que a de um documento de redação mais recente.
Segundo Giuseppe apresenta, a ideia de um judaísmo monolítico foi ultrapassada, pois falamos de uma diversidade do judaísmo e até mesmo de “judaísmos” anteriores ao ano 70 D.C. Num contexto onde existiam vários tipos de Judeus: Apocalípticos de Qumran, saduceus, fariseus, essênios, zelotes e samaritanos, é necessário se concentrar nas narrações da essência de Jesus.

O paradigma metodológico se vale de fontes e métodos de novos critérios. No tocante as fontes o autor comenta sobre as fontes diretas e as indiretas.

·         Fontes Indiretas: Não se referem especificamente a Jesus, mas tratam do contexto onde se deve situar o Jesus histórico (livros apócrifos, escritos de Qumran e outros artefatos arqueológicos e históricos).
·         Fontes Diretas: As fontes diretas foram enriquecidas pelos evangelhos apócrifos, que trouxeram novos dados sobre Jesus, porém as fontes mais confiáveis são os quatro evangelhos.

Ged Theissem trouxe o método sociológico para se estudar o movimento de Jesus, pois era difícil de manejar os evangelhos como fontes diretas, e o método histórico crítico teve que se valer da sociologia, antropologia e da crítica literária que floresceram na América. A pretensão de se chegar a ipissima verba Jesus foi colocada em discussão devido à diversidade de traduções e interpretações de um mesmo dito de Jesus. A criteriologia crítica os critérios clássicos, traz uma nova proposta da organização dos mesmos critérios.
A crítica aos critérios clássicos: dessemelhança, coerência e múltipla atestação. No primeiro caso a dessemelhança e coerência foram consideradas erradas a ordem em que são praticados. Parte-se do pressuposto que Jesus não é judeu e que a comunidade nada tem a ver com ele, “Jesus fica fora da história em que viveu”. Em segundo lugar, parte do pressuposto que sejam conhecidos o judaísmo e as comunidades cristãs de origem. Em terceiro lugar a oposição de Jesus ao judaísmo, era usada teologicamente para confrontar a religião judaica das obras com a religião da graça e do amor pregada por Jesus.
O terceiro critério está ligado à teoria das múltiplas fontes, seria a constatação de fatos ou ditos de Jesus em mais de uma fonte. G. Theissen e D.Winter formularam uma nova organização no critério da dessemelhança: o da plausibilidade, que incluía o critério da razão suficiente. Este critério corresponde ao clássico critério da “correlação e analogia histórica”. O Jesus histórico é posto em relação ao seu ambiente judaico de origem. Na didática se utiliza também aqui dois critérios, da continuidade e o da descontinuidade. A plausibilidade histórica justifica melhor a unidade da pessoa de Jesus, segundo o autor, enfocando a ligação necessária do Jesus histórico com o seu ambiente judaico de origem.
Sobre o paradigma teológico o autor é breve em seu estudo, mas cita três elementos que são novidade: O dado epistemológico fundamental da distinção entre o método histórico e o teológico, em segundo ponto deve-se fazer distinção entre o Jesus histórico e o Jesus dos historiadores. A terceira pesquisa tenta, pois, superar o terrível fosso entre a fé cristológica e história de Jesus, criado por Bultmann, que a nova pesquisa procurava superar na frágil ponte do Kerigma. A história de Jesus é legítima, antes, necessário componente de uma fé em Jesus desejosa de conhecer cada vez melhor a sua face das fontes históricas do passado, enquanto experimenta a sua presença.

Conclusão

            A terceira pesquisa trouxe um paradigma pós-moderno e judaico, mais complexa e mais crítica com referencia à nova pesquisa, porque desperta alguns interesses na área teológica. Também foi com ênfase num ambiente judaico e sociocultural de Jesus para fundamentar o Jesus histórico, houve também a busca por maiores fontes de dados incluindo os escritos e livros apócrifos, para melhor conhecer o ambiente cultural a qual o Jesus de Nazaré vivia. Na minha visão a terceira pesquisa trouxe um novo cenário para os estudos e pesquisas a cerca de Jesus, observando uma óptica Judaica e na própria tradição enfocadas nos textos dos evangelhos.
            Hoje podemos estudar o Jesus da Fé com o pano de fundo da Historicidade dos relatos Bíblicos e com estimulo a conhecer melhor este Homem que mudou todo o contexto histórico e religioso do mundo.


Autoria:  Pr. Marcos Mizael - IPDR Recife, 01/06/2020 



Referências

BLOMBERG, Craig L. Jesus e os Evangelhos: Uma Introdução ao estudo dos 4 evangelhos. 1ª Edição. Editora Vida Nova: 2009
MOLTMANN, Jurgen. O Caminho de Jesus Cristo: Cristologia em Dimensões Messiânicas. Editora: Academia Cristã. São Paulo 2014.
SEGALLA, Giuseppe. A pesquisa do Jesus Histórico: Ed. Loyola.
Bíblia de Estudo Almeida: Edição Revista e Atualizada. Sociedade Bíblica do Brasil. 2ª Edição 1999.














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