PAULO E SEUS INTERPRETES
De um modo bem especial o estudo de Paulo e suas cartas é
um grande paradoxo do cristianismo. Os intérpretes são figuras notáveis que vão
desde tempo dos pais da igreja até os mais recentes eruditos
contemporâneos.
A escola de Tubingen ganhou destaque devido à figura de F.
C. Baur. Através dos estudos de Baur e da escola de Tubingen, as pressuposições
para novos estudos dos escritos de Paulo surgiram. O século XX foi o grande
acelerador nos estudos paulinos, muitas das questões que são estudadas hoje
provêm dessa herança do material de Baur. Alguns dos pontos levantados por Baur
ainda não possuem solução, tais como:
1.
Baur e a escola de Tubingen.
2.
A identidade e a teologia dos adversários
paulinos.
3.
A visão paulina da lei.
4.
O centro da teologia de Paulo.
5.
Perspectivas para o futuro.
F.C. Baur se destacou por sua visão distinta da visão tradicional,
para Baur a visão do Deus pessoal e transcendente já não poderia ser aceita.
Ele se baseou em uma nova abordagem filosófica de Hegel. Após, os estudos de Baur,
levantaram-se algumas questões sobre o conflito entre o cristianismo Petrino e
o cristianismo paulino.
Em seus estudos fica bem nítido a questão do evangelho
paulino voltado aos gentios e a dos apóstolos voltado aos cristãos-judaizantes.
O Evangelho e a lei foram considerados reflexos da oposição no cristianismo
primitivo entre Paulo e o cristianismo gentio, de um lado, e o cristianismo
judaico apoiado por Pedro. Segundo Baur este conflito permeou todo NT e também
o desenvolvimento histórico da igreja primitiva até o fim do século II, quando
foi resolvida pela unidade emergente da igreja católica.
Através destes paradigmas dos estudos de Baur o terreno
para os estudos do século XX foi preparado. Um dos aspectos mais importantes
nos estudos de F.C. Baur está dividido em três questões:
1.
A identidade e perspectiva dos adversários
paulinos com aplicação para sua vida e pensamento.
2.
A visão paulina da lei e a relação da lei com
seu entendimento do Evangelho.
3.
A busca do centro gerador da teologia paulina. .
.
No século XIX alguns estudiosos defenderam que os
adversários de Paulo eram gnósticos. Eduardo Burton fez a apresentação mais
radical da tese dos adversários gnósticos de Paulo. Estes eram centralizados
nos adversários de Paulo na carta aos coríntios.
Na Alemanha houve um rompimento com o pensamento de Baur,
um dos principais estudiosos, B. Ligthfoot criticou a obra de Baur através do
seu livro “St Paul and the three”.
Segundo os escritos de Lightfoot os adversários de Paulo não eram os apóstolos
nem os cristãos rivais, mas sim os Essênios, que era um movimento que surgiu no
século II A.C. Eles eram uma das três principais seitas judaicas, juntos com os
fariseus e os saduceus. Já no inicio do século XX os estudiosos concentraram-se
em duas vertentes sobre os adversários de Paulo em suas cartas; os chamados
“pneumatistas” ou “gnósticos”.
Nos recentes estudos sobre o pensamento Paulinho, o impasse
que surge é a questão da realidade histórica, que comprovaria a existência de
um “homem divino” no judaísmo como chave para o autoconhecimento dos
adversários, foi seriamente posta em duvida. A outra questão seria a não
existência de paralelos judaicos aos motivos e métodos missionários de Paulo.
No cerne
da questão do pensamento paulino, em 1970 os estudiosos em sua maioria detinham
suas convicções em que o centro do pensamento paulino estava na justificação,
esta posição ganhou seu apoio com a tese dos adversários de Paulo, serem judeus
legalistas que insistiam que além da fé em Cristo era necessário a obrigação da
Lei. W. Wrede no seu livro Paulus, desmentiu
essa afirmação, dizendo que o centro do pensamento de Paulo não era
justificação, mas sim a sua convicção escatológica. Schweitzer na sua
publicação diz que o centro gerador do pensamento de Paulo era seu “misticismo”,
para Schweitzer a doutrina da justificação era apenas secundária e subsidiária
do pensamento de Paulo.
A partir
de Bauer, a história da pesquisa paulina realça a importância crucial para se
determinar o contexto histórico no qual se desenvolveu e se expressou o
pensamento paulino. Contudo, esses estudos continuam sendo meros auxiliares
úteis a serviço da tarefa principal de interpretar o conteúdo do pensamento
paulino como ele foi expresso em resposta às necessidades de suas comunidades. È
impossível ter uma correta interpretação dos textos paulinos e suas cartas sem
entender o contexto a qual elas foram escritas e o motivo pelo qual foram
escritas. O pano de fundo judaico é essencial para qualquer iniciativa de entendimento
das epístolas paulinas, pois é impossível separar a herança cultural que a sua
formação judaica trouxe para seu pensamento e literatura.
Qualquer
um que queira interpretar os escritos paulinos devera entender a multiplicidade
da cultura e da vida deste homem, desde sua formação a todas as experiências a
qual ele foi submetido e a cada local a qual ele passou.
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