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O Cristianismo e a Moral



 

            É inegável que estamos vivenciando um confronto árduo contra o que chamamos de “Moralidade”,  segundo os princípios básicos das sociedades e civilizações ocidentais. 

            A base desse termo é mos (moris), que significa costume, vontade, uso.  Essa palavra corresponde a palavra éthos, que significa ética no grego, um sinônimo de mos. A moralidade, naturalmente diverge de indivíduo a indivíduo, e não segue necessariamente meros costumes, hábitos ou vontades individuais.  Para muitos filósofos e teólogos, a moralidade é algo natural a humanidade.  

            No dicionário o conceito de Moralidade seria o conjunto de valores, normas e noções do que é certo e errado, permitido e proibido dentro de uma sociedade. Estes valores são a base do que definimos como Moralidade convencional, também podendo ser chamado “Bons costumes”. Através de padrões morais as civilizações estabeleceram suas Normas e Leis para a vida em sociedade, sem isso, o caos seria instaurado e não haveria condições de conviver com o próximo. Quase todas as filosofias e Religiões, reconhecem a existência do problema do pecado (Transgressão de Valores ou normas), muitas oferecem soluções para essa problemática. Grande parte da investigação sobre a moral humana, atribui a Deus como o princípio para a base da moralidade humana.

            O Cristianismo enfatiza que a base da moralidade humana, a verdadeira moral, é proveniente do único Deus verdadeiro. Para os cristãos, as qualidades morais são derivantes da ética moral divina, a qual foi transmitida a humanidade no momento da criação, Theopneustos a ação do sopro de fôlego divino descrito em Gênesis 2.7:

E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; o homem foi feito alma vivente”.

Também chamamos de atributos comunicáveis de Deus aos seres humanos, são características que Deus comunica aos seres humanos no momento da sua formação e são características da humanidade.

E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.” (Gn 1.26).

            Paulo afirma em romanos 2.14-15, que a lei moral de Deus foi escrita no coração de todos e testificando sobre esse atributo comunicado a humanidade mesmo que inconscientemente. Isso faz a distinção dos seres humanos dos animais, a capacidade moral e racional. A Bíblia também ensina que em razão do pecado o ser humano se revoltou contra a Lei (Moral) de Deus, distorcendo as verdades divinas e buscando estabelecer suas vontades e depravações, acima das verdades de Deus, como diz o texto de Romanos 1.25:

“Pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”

      As distorções e tentativas de separar a moral judaico-cristã das civilizações ocidentais, nos trouxeram erros grotescos, prejuízos inestimáveis, genocídios e destruição. Em menos de 200 anos passados, os regimes ateístas mataram cerca de 100 milhões de pessoas. Muitos podem questionar informando que os Governos Cristãos, a inquisição, cruzadas, também mataram muitas pessoas, porém em termos proporcionais, as mortes por governos ditos religiosos, não chegam a 1% desses genocídios de governos ateus, nazistas e comunistas.  O cerne da questão não está na religião, igreja ou instituição, mas sim na deturpação causada pela maldade do coração humano, que transforma o que é “bom” no que é “mau”. O que Paulo descreve em Romanos, é exatamente o que na prática observamos quando uma mãe ou um pai assassina seu filho, quando um pedófilo abusa de uma criança, ou quando um irmão agride outro irmão,  pois um dos maiores exemplos de amor e bondade, estão no amor dos pais para os filhos,  na inocência de uma criança, ou na fraternidade entre irmãos.A maldade imposta pelo pecado no coração do ser humano, deturpa a essência criada por Deus e os torna em atos de maldade aquilo que de bom foi criado.         

          Civilizações foram destruídas por causa do problema moral, que em consequência afetam a economia e a política de uma nação. O Artigo do Blog Mises Brasil sobre o declínio da civilização romana diz:

A maravilhosa civilização da Antiguidade desapareceu por não ter sabido ajustar o seu código moral e o seu sistema legal às exigências da economia de mercado.  Uma ordem social está fadada a desaparecer se as ações necessárias ao seu bom funcionamento são rejeitadas pelos padrões morais, são consideradas ilegais pelas leis do país e são punidas pelos juízes e pela polícia.

            Quando padrões morais são excluídos, os grandes problemas sociais como; corrupção e violência, crescem drasticamente, gerando revoltas, problemas políticos, guerras civis e caos.  Observamos em vários governos atuais a relação direta entre imoralidade e corrupção, os mesmos sempre andam em conjunto e trazem prejuízos a qualquer tipo de sociedade.

            A grande problemática contemporânea, está na árdua tentativa de excluir da sociedade pós-moderna, os conceitos morais judaico-cristãos, pois estes se chocam com os ideais “progressistas”. Em nome de uma falsa ideia de que para progredir é necessário se libertar de conceitos morais fundamentais, taxados como antigos e retrógados. Conceitos estes, que sustentam até hoje as sociedades ocidentais, porém limitam o que eles denominam de “liberdades individuais”, onde o relativismo, hedonismo, marxismo e existencialismo, predominam os ideais desse grupo. Eles se apropriam de um discurso moral inverso, o que chamamos de “inversão de valores”, pois atribuem a seus padrões morais o conceito de bondade e verdade e se apropriam de causas nobres como racismo e preconceito, como se somente eles fossem representantes dessa clase.  A guerra está ligada aos limites morais estabelecidos pelo cristianismo como:  O conceito da família tradicional (homem, mulher e prole), criminalização das drogas, criminalização do aborto, criminalização da pedofilia, liberdade religiosa e patriotismo.

              As religiões cristãs revolucionaram a civilização ocidental, se tornaram grande maioria e serviram de base para leis, códigos de condutas éticos, políticas e desenvolvimento social. Apesar de vivenciarmos a cultura da ideologia progressista na mídia tradicional, redes sociais e internet, a maioria avassaladora da população ocidental, ainda se posiciona como cristãos conservadores, que prezam pelos padrões morais judaico-cristãos e resistem a essa onda através de argumentos e posicionamentos éticos. A própria Bíblia nos ensina que suas verdades jamais mudarão, que mesmo com a passagem do tempo as palavras da verdade jamais passarão:

Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar. (Lc 21.33).
        Os padrões morais do cristianismo não se alteram no tempo, vale salientar que existe uma diferença entres usos e costumes bíblicos,  das regras morais da bíblia, o conceito moral bíblico está ligado ao pecado, a quebra das normas e regras estabelecidas por Deus aos homens. Esses conceitos são a égide das civilizações até os dias de hoje, estão entrelaçadas em normas, leis e códigos de ética em todo o mundo. São visíveis na natureza, na humanidade e por mais que queiram extirpar da nossa realidade, se trata de uma missão fadada a derrota, pois essa vitória foi conquistada no calvário e o seu símbolo é uma cruz vazia.   

 

Recife, 02/08/2020

 Autoria: Pr. Marcos Mizael



           

 


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